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A transmídia aplicada a tudo. Ou quase.



Quando comecei a acompanhar discussões sobre transmídia, o enfoque das narrativas estava no entretenimento. Produções cinematográficas empregaram muito bem seu potencial transmidiático, levando sucessos das telonas para games, eventos, action figures, enfim, para todo um arsenal de produtos que, com a participação do público, expandiu ainda mais o universo narrado.

A ficção televisiva também se beneficiou da transmídia, fazendo das telenovelas, antes produtos fechados, parte de narrativas expandidas por meio da Internet e de outros programas na TV, caso de Cheias de Charme, exibida primeiramente em 2012 e agora, em 2016, no período da tarde, na Rede Globo. A emissora conta com departamento próprio para produção transmídia.

E o jornalismo, pode ser transmídia? Pode sim, senhor. Aquela matéria veiculada em um site pode ser expandida, com outros conteúdos produzidos para mídias diferentes e aproveitando o melhor de cada uma, sem a cansativa e desnecessária repetição multimidiática que costumamos verificar quando se transmite um vídeo e, em texto, a transcrição pura e simples.

Há outra área, ainda, em que a transmídia pode ser aplicada. Na educação, quando se planeja a inserção de mídias em produções dos estudantes, é possível incentivá-los a contar histórias de maneira que um desenho conte uma parte, uma peça de teatro, outra, um vídeo no Youtube, mais uma e daí por diante. Assim, estimula-se a apropriação de diversas mídias e, ao mesmo tempo, uma visão crítica sobre seu uso.

Difunde-se, também, a transmídia no turismo, como se pode verificar em grupo destinado a discutir essa aplicação, disponível no Facebook. São ações que integram atividades turísticas com produções midiáticas, sob a perspectiva do transmedia storytelling. Lembro-me de uma iniciativa bastante interessante lançada por alunos meus no Rio de Janeiro, que mesclava transmídia, turismo e jornalismo. <3

Por falar em iniciativa de alunos, um deles acaba de lançar uma revista, a LIQR, que envolve jornalismo, intervenção e arte. Claramente, uma proposta transmídia e performática. E colaborativa, outra prerrogativa transmidiática.

Eu poderia escrever linhas e mais linhas, listar vários exemplos, que não esgotaria o que se tem produzido. Tem ficado cada vez mais evidente que a transmídia pode se aplicar a tudo, em todas as áreas de expressão humana. Já estou pensando aqui em produções acadêmicas transmídia, embora já tenha orientado trabalhos nesse sentido, em que um texto acadêmico não se basta, cabendo a outras mídias apresentar outros conteúdos que não cabem na em textos formatados com base nas regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Sugiro, a quem queira estudar transmídia, acessar as produções de grupos de pesquisa como a Rede Brasileira de Pesquisadores da Ficção Televisiva (Obitel Brasil), o Grupo de Estudos sobre Mídias Interativas em Imagem e Som (GEMInIS)e o Grupo de Estudos Transmídia da Universidade Federal de Uberlândia (GET-UFU). E, para quem quiser produzir, que pense em qual história quer contar e comece logo. É contagiante.



Perfil do Autor:

Mirna Tonus
Graduada em Jornalismo, mestre em Educação, doutora em Multimeios. Professora do curso de Jornalismo e do Mestrado Profissional Interdisciplinar em Tecnologias, Comunicação e Educação da UFU.
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